Um Canto no Mundo que reflete sobre Língua, Literatura e Pensamento. Não necessariamente nesta ordem e organização, mas tudo bem. Divirta-se! Esta é uma página de Aná Nery Machado.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019
Bem-te-vis
Tem hora
Que a gente desiste de tudo
Que a gente esquece do mundo
Quando percebe que não sabe como ser feliz.
Tem dia
Que a gente acorda de tudo
Que a gente procura no fundo
Um motivo pra dizer sim quando na verdade não quis.
Enquanto isso o tempo não pára
Ressente-se na ressaca
Numa vida de bem-me-quer e bem-te-vis.
terça-feira, 8 de janeiro de 2019
Flor-de-Lis
Ok, para um primeiro texto, não podia começar com
zoação.
Então resolvi contar pra vocês a relação que a flor-de-lis tem com o curso de Letras. Digo isso, pois quando nos formamos, ganhamos dos pais esta lembrança, ou até nós mesmos compramos o nosso anel de formatura. Cada curso tem os seus símbolos e pedra preciosa que compõem o seu anel.
No caso de Letras (pelo menos o meu anel é assim), a pedra é a ametista lilás e tem como símbolos a coruja e a flor-de-lis. E eu estou aqui para explicar o porquê da flor-de-lis.
Este símbolo surgiu com Luís XVII, na França, sendo adotado nas Cruzadas, simbolizando a fé, a sabedoria e o valor.
Mas no curso de Letras, simboliza a articulação entre três grandes áreas: a linguística, a literatura e a gramática, representadas por cada pétala da flor.
A pétala do meio representa a Literatura, aponta para o alto, para o ideal e o elevado.
A pétala que fica à direita remete a Gramática e mostra a valorização da tradição.
E a da esquerda se refere à Linguística, a ciência que estuda a língua e a linguagem.
Um profissional de Letras precisa entender que o curso tem esses três pilares e que eles andam juntos e se complementam para a construção do conhecimento.
Um não fica sem o outro.
É como um tripé que quando quebra uma escora, fica bambo.
Ana Nery Machado
Jan/2019
Então resolvi contar pra vocês a relação que a flor-de-lis tem com o curso de Letras. Digo isso, pois quando nos formamos, ganhamos dos pais esta lembrança, ou até nós mesmos compramos o nosso anel de formatura. Cada curso tem os seus símbolos e pedra preciosa que compõem o seu anel.
No caso de Letras (pelo menos o meu anel é assim), a pedra é a ametista lilás e tem como símbolos a coruja e a flor-de-lis. E eu estou aqui para explicar o porquê da flor-de-lis.
Este símbolo surgiu com Luís XVII, na França, sendo adotado nas Cruzadas, simbolizando a fé, a sabedoria e o valor.
Mas no curso de Letras, simboliza a articulação entre três grandes áreas: a linguística, a literatura e a gramática, representadas por cada pétala da flor.
A pétala do meio representa a Literatura, aponta para o alto, para o ideal e o elevado.
A pétala que fica à direita remete a Gramática e mostra a valorização da tradição.
E a da esquerda se refere à Linguística, a ciência que estuda a língua e a linguagem.
Um profissional de Letras precisa entender que o curso tem esses três pilares e que eles andam juntos e se complementam para a construção do conhecimento.
Um não fica sem o outro.
É como um tripé que quando quebra uma escora, fica bambo.
Ana Nery Machado
Jan/2019
sexta-feira, 22 de junho de 2018
Fatinha: uma menininha em oração
Hoje
eu vou contar a história de uma menininha chamada Fátima, sua mãe colocou esse
nome porque ela teve a felicidade, dizia sempre a mãe, de ter nascido dia 13 de
maio; o dia de Nossa Senhora de Fátima. Mas aqui nessa história, vamos chamá-la
carinhosamente apenas de Fatinha.
Fatinha
morava com a mãe numa casa pequena, mas muito aconchegante. Os dias eram muito
agradáveis, enquanto a mãe fazia comida, a menina ficava pela cozinha com suas
bonecas. Supermercado? Sempre iam juntinhas. Na hora do banho, a mãe testava a
temperatura antes de colocar Fatinha na mira da água.
Mas
a hora do dia que Fatinha mais gostava era quando rezava com a mãe antes de
dormir. Um dia apareceu uma dúvida: - Mamãe, onde mora meu anjo da guarda?
A mãe pensou um pouco e disse: - Na lua, minha
filha.
- Uau, deve ser muito legal morar na lua. Disse
Fatinha, encantada.
- E ele mora sozinho?
- Não, ele mora com a sagrada família.
- Ah, sim. Falou como se tivesse compreendido
tudinho.
A menina estava na cama com a mãe, levantou para
alcançar a cabeceira e apoiou as mãozinhas no parapeito da janela para avistar
melhor a lua. A noite estava linda, com céu estrelado, tempo quente e um cheiro
de jasmim que só trazia calma e sôssego. Fatinha bocejou indicando sono.
- Mamãe, vamos rezar? Acho que eles estão esperando
a nossa oração.
- Claro que sim, minha filha. Disse a mãe afagando a
cabecinha da menina.
Juntaram as mãos e rezaram assim:
“Santo Anjo do Senhor,
Meu
zeloso guardador,
Se
a ti me confiou a piedade divina,
Sempre
me rege,
Me
guarde,
Me
governe,
Me
ilumine.
Amém.”
Fatinha bocejou mais uma vez, deitou, a mãe
aconchegou com cobertor e um abraço.
- Eu consegui ver eles na lua, mamãe.
E foi sonhar.
FIM.
Ao Senhor Deus, primeiramente.
Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!
Para meu anjo da guarda e todos os que
aqui estão para proteger a humanidade.
Por minha mãe, a primeira que me ensinou
o poder da oração.
sábado, 29 de outubro de 2016
Nunca tive medo
Nunca tive medo, muito menos vergonha do ridículo, acho que estamos aqui para testar de tudo mesmo, e enquanto alguns olham o que eu faço, eu faço e pronto. Cheguei numa idade que não me preocupo mais com o que as pessoas pensam de mim. Pouco me importa se gostam do que falo, até porque o que penso, pouca gente sabe. Isso tira um peso das costas... Não ter a obrigação de ter que agradar, de ser legal pra todo mundo. Quero que se lasque o “todo mundo”, eu amo quem eu quero, peço desculpas pra quem respeito e convivo e vivo com minha consciência em paz. Como gosto de pensar que essa vida é breve e que a alma é eterna. Isso mantém o voo alto e qualquer sonho possível. Ah, hoje amanheci amiga dos pensamentos, dos bons pensamentos, e vou dormir com eles. Ana Nery Machado. 10/2016
Não gosto de óculos escuros.
Não gosto de óculos
escuros.
Não fique com raiva,
prefiro me aprofundar
na sua alma,
e não no reflexo da
minha.
Não gosto de óculos
escuros.
29/10/2016
domingo, 18 de setembro de 2016
A menina dos pensamentos mágicos
Era uma vez uma menina que vivia num mundo de pensamentos
mágicos.
Essa menina tinha como o mundo a sua casa.
Seus brinquedos favoritos eram a TV pra ver desenho e o
vestido de casamento da sua mamãe.
Colocava o vestido com frequencia e desfilava como numa
passarela, e logo sua mãe aparecia para dizer que “não podia”.
A menina tinha poucas bonecas, mas as que tinham, eram suas
melhores amigas. Tomavam chá com ela sempre e ficavam falando sobre a vida.
Uma bela noite, algo incrível aconteceu.
Sua mãe falou que ela iria rezar.
- Rezar, mamãe.
- Isso mesmo filha. Antes de dormir, quero que você reze
para nossa senhora, José e o menino Jesus.
- Hunnn, onde eles moram, mamãe?
A mãe vendo a necessidade de explicar, abriu janela de
madeira do quarto, pediu pra menina
ficar de pé na cama para poder conseguir ver o céu
estrelado.
- Ali, filha. Eles moram na lua.
- É, mamãe!? Que incrível morar na lua. Então vamos rezar...
A menina pegou a mão da mamãe e as duas começaram a rezar.
A partir daquele dia, a menina esperava a noite chegar para
dar um olá pra sagrada família, até podia ver os rostos deles de lá. E rezava.
Ainda hoje, no auge dos 32 anos, ainda pode jurar que era
verdade.
Reflexões de um dia aí
Ah... A vida!
Todo dia quando abro os olhos,
agradeço pelo dia.
Mas logo os pensamentos chegam, e
começo a querer a comandar a minha vida. Digo a mim mesma: vou fazer isso,
aquilo e aquilo outro.
Logo depois, cai a ficha: Se Deus
é o senhor de tudo e até da minha vida, pra quê planejar tanto, se não sou eu
quem manda? Por que dizer: “Deixe nas mãos de Deus”, se tudo nessa vida já está
nas mãos dele mesmo?
Penso que posso fazer nada...
“mas tem o tal do livre arbítrio”, e logo minha mente já me põe abaixo quando
percebo os momentos que tentei não fazer algo, mas logo a vida me punha ali
como se tivesse nascido praquilo.
Destinada a isso? Sem escolha de
dizer “sim” ou “não”? Quem vai saber?
Foi então que resolvi escolher
alguma coisa: “vou tomar café com leite”. Fui pra cozinha e mandei bem
colocando o café na xícara, pensava: “isso aí, mandando na própria vida”. De
repente, o leite ferveu e transbordou pelo fogão, não deixando uma gota que
prestasse pra tomar.
“Ok Deus, já entendi, é só pra
tomar o café”. Decisão de Deus.
Deixei a cozinha pra limpar
depois. Decisão minha, só que não.
Ana Nery Machado.
18/09/2016
terça-feira, 8 de março de 2016
Eram gigantes sim
Por esses dias pensei: “Não são
gigantes, são apenas moinhos de vento.”
No fim, Dom Quixote estava certo.
Eram gigantes sim, eram gigantes que me resumiram em farrapos vergonhosos.
E eu pensando que o louco era
ele, ou pelo menos, que era só ele.
Enquanto costuro os retalhos e
refaço a minha armadura, Quixote e meu inseparável Dostoiévski perguntam: “Vamos
viver os nossos sonhos?”
E eu saio em batalha, com meus
fiéis escudeiros, mais uma vez.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Gisele e o desejo
Há dias que Gisele juntava
dinheiro para comprar aquele lanche conhecido por todos daquela cidade fulgurante.
Gisele não gostava da cidade, mas gostava do lanche. Ah, aquele lanche... podia
se lembrar de quando passou naquela calçada pela primeira vez e começou a
salivar de vontade. Enfim, precisava de dinheiro para comprar aquele lanche, e
foi aí que fez os cálculos de quantos dias trabalhados precisava para sentar no
restaurante Vinho Seco e provar
aquela iguaria.
E assim foi feito, trabalhou com
a barriga na chapa quente, lavou pratos brilhantemente, cortou verduras e montou marmitas no capricho, até que o dia chegou e juntou o valor adquirido
dentro de um saco de supermercado, fez um nó e saiu enfiando tudo no bolso
rasgado.
Andava a passos largos na Rua do
Ouvidor quando chegou ao restaurante e sentou à beira mar, ainda com os
sentimentos nervosos, entregando seu dinheiro ao garçom como se quisesse
assegurar suas condições de pagar. Pediu o lanche com a veemência de um
caçador, e com o lanche nas mãos, foi abocanhar o seu desejo ao passo que um
maltrapilho clamou por comida às pessoas que ali estavam. Gisele fitava a
situação ao longe, e ao mesmo tempo, perdeu o desejo da primeira mordida enquanto
ninguém olhava para o homem que pedia.
Num arroubo, Gisele levantou com
o lanche agarrado entre as duas mãos na direção do homem, foi chegando próximo e
ofereceu – o antes que batesse o arrependimento. Mesmo que não tenha dito isto
naquele momento, foi o que pensou.
Entregou o símbolo do seu
trabalho de dias ao homem e saiu passando a mão na cabeça. O homem agachou no
meio - fio da rua e engoliu o lanche numa mordida voraz.
Gisele botou a mão na calça,
sentiu a sacola vazia e pensou que pelo menos havia alguma coisa para preencher
o bolso. Olhou para a mesa em que estava sentada no restaurante, avistou a taça
de vinho seco e sorriu da sua sorte que não era muita, mas também não era nada.
Ana Nery Machado
28/12/2015
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Lição de Casa
Fico imaginando, quando eu, um bebê gorducho e careca como Buda,
virei trabalho para um anjo da guarda.
Lá no céu...
- Ei, anjo, você
vai ficar com esse bebê pra cuidar!
O chefe do
anjo tira uma pasta do arquivo dos seres humanos e entrega para o anjo.
- Estuda, hein!
O anjo sai
com a cabeça baixa, olhando fixamente para a pasta.
Aqui na
Terra...
Quase três décadas
depois, chego a algumas alternativas do que aconteceu depois da saída do anjo
da sala do chefe.
A - Ele
achou que não precisava estudar.
B – Ele jogou
a pasta na lixeira mais próxima, com raiva do chefe.
C – Ele não
sabia ler.
D – Ele era
um estagiário.
Resultado...
Seu anjo não
faz a lição de casa e quem se %*$#%@ é você!
MORAL: A LIÇÃO DE CASA É IMPORTANTE!
13-08-2015
Ana Nery
Machado
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E você, o que acha?
Acho que neste momento eu preciso escrever mais e amar menos. Aná Nery Machado 14/06/2020
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O mesmo que diz ser amor é o que atira a pedra na rua sem saber por quê. Desalento, o passado mora ao lado sem querer. Primeiro é necessário...
-
Acordo. Atravesso a sala Com as calças largadas ao vento, minha caneca atravessada na mão e só. Passo à janela, visão preto-e-branco pela ma...
