terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Flor-de-Lis


Ok, para um primeiro texto, não podia começar com zoação.
Então resolvi contar pra vocês a relação que a flor-de-lis tem com o curso de Letras. Digo isso, pois quando nos formamos, ganhamos dos pais esta lembrança, ou até nós mesmos compramos o nosso anel de formatura. Cada curso tem os seus símbolos e pedra preciosa que compõem o seu anel.
No caso de Letras (pelo menos o meu anel é assim), a pedra é a ametista lilás e tem como símbolos a coruja e a flor-de-lis. E eu estou aqui para explicar o porquê da flor-de-lis.
Este símbolo surgiu com Luís XVII, na França, sendo adotado nas Cruzadas, simbolizando a fé, a sabedoria e o valor. 
Mas no curso de Letras, simboliza a articulação entre três grandes áreas: a linguística, a literatura e a gramática, representadas por cada pétala da flor. 
A pétala do meio representa a Literatura, aponta para o alto, para o ideal e o elevado. 
A pétala que fica à direita remete a Gramática e mostra a valorização da tradição. 
E a da esquerda se refere à Linguística, a ciência que estuda a língua e a linguagem. 
Um profissional de Letras precisa entender que o curso tem esses três pilares e que eles andam juntos e se complementam para a construção do conhecimento. 
Um não fica sem o outro. 
É como um tripé que quando quebra uma escora, fica bambo.
Ana Nery Machado
Jan/2019

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Fatinha: uma menininha em oração


Hoje eu vou contar a história de uma menininha chamada Fátima, sua mãe colocou esse nome porque ela teve a felicidade, dizia sempre a mãe, de ter nascido dia 13 de maio; o dia de Nossa Senhora de Fátima. Mas aqui nessa história, vamos chamá-la carinhosamente apenas de Fatinha.
Fatinha morava com a mãe numa casa pequena, mas muito aconchegante. Os dias eram muito agradáveis, enquanto a mãe fazia comida, a menina ficava pela cozinha com suas bonecas. Supermercado? Sempre iam juntinhas. Na hora do banho, a mãe testava a temperatura antes de colocar Fatinha na mira da água.
Mas a hora do dia que Fatinha mais gostava era quando rezava com a mãe antes de dormir. Um dia apareceu uma dúvida: - Mamãe, onde mora meu anjo da guarda?
A mãe pensou um pouco e disse: - Na lua, minha filha.
- Uau, deve ser muito legal morar na lua. Disse Fatinha, encantada.
- E ele mora sozinho?
- Não, ele mora com a sagrada família.
- Ah, sim. Falou como se tivesse compreendido tudinho.
A menina estava na cama com a mãe, levantou para alcançar a cabeceira e apoiou as mãozinhas no parapeito da janela para avistar melhor a lua. A noite estava linda, com céu estrelado, tempo quente e um cheiro de jasmim que só trazia calma e sôssego. Fatinha bocejou indicando sono.
- Mamãe, vamos rezar? Acho que eles estão esperando a nossa oração.
- Claro que sim, minha filha. Disse a mãe afagando a cabecinha da menina.
Juntaram as mãos e rezaram assim:
 “Santo Anjo do Senhor,
Meu zeloso guardador,
Se a ti me confiou a piedade divina,
Sempre me rege,
Me guarde,
Me governe,
Me ilumine.
Amém.”

Fatinha bocejou mais uma vez, deitou, a mãe aconchegou com cobertor e um abraço.
- Eu consegui ver eles na lua, mamãe.
E foi sonhar.
FIM.
Ao Senhor Deus, primeiramente.
Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!
Para meu anjo da guarda e todos os que aqui estão para proteger a humanidade.
Por minha mãe, a primeira que me ensinou o poder da oração.


sábado, 29 de outubro de 2016

Nunca tive medo

Nunca tive medo, muito menos vergonha do ridículo, acho que estamos aqui para testar de tudo mesmo, e enquanto alguns olham o que eu faço, eu faço e pronto. Cheguei numa idade que não me preocupo mais com o que as pessoas pensam de mim. Pouco me importa se gostam do que falo, até porque o que penso, pouca gente sabe. Isso tira um peso das costas... Não ter a obrigação de ter que agradar, de ser legal pra todo mundo. Quero que se lasque o “todo mundo”, eu amo quem eu quero, peço desculpas pra quem respeito e convivo e vivo com minha consciência em paz. Como gosto de pensar que essa vida é breve e que a alma é eterna. Isso mantém o voo alto e qualquer sonho possível. Ah, hoje amanheci amiga dos pensamentos, dos bons pensamentos, e vou dormir com eles. Ana Nery Machado. 10/2016

Não gosto de óculos escuros.

Não gosto de óculos escuros.
Não fique com raiva,
prefiro me aprofundar na sua alma,
e não no reflexo da minha.
Não gosto de óculos escuros.

29/10/2016

domingo, 18 de setembro de 2016

A menina dos pensamentos mágicos

Era uma vez uma menina que vivia num mundo de pensamentos mágicos.
Essa menina tinha como o mundo a sua casa.
Seus brinquedos favoritos eram a TV pra ver desenho e o vestido de casamento da sua mamãe.
Colocava o vestido com frequencia e desfilava como numa passarela, e logo sua mãe aparecia para dizer que “não podia”.
A menina tinha poucas bonecas, mas as que tinham, eram suas melhores amigas. Tomavam chá com ela sempre e ficavam falando sobre a vida.
Uma bela noite, algo incrível aconteceu.
Sua mãe falou que ela iria rezar.
- Rezar, mamãe.
- Isso mesmo filha. Antes de dormir, quero que você reze para nossa senhora, José e o menino Jesus.
- Hunnn, onde eles moram, mamãe?
A mãe vendo a necessidade de explicar, abriu janela de madeira do quarto, pediu pra menina
ficar de pé na cama para poder conseguir ver o céu estrelado.
- Ali, filha. Eles moram na lua.
- É, mamãe!? Que incrível morar na lua. Então vamos rezar...
A menina pegou a mão da mamãe e as duas começaram a rezar.
A partir daquele dia, a menina esperava a noite chegar para dar um olá pra sagrada família, até podia ver os rostos deles de lá. E rezava.
Ainda hoje, no auge dos 32 anos, ainda pode jurar que era verdade.



Reflexões de um dia aí

Ah...  A vida!

Todo dia quando abro os olhos, agradeço pelo dia.
Mas logo os pensamentos chegam, e começo a querer a comandar a minha vida. Digo a mim mesma: vou fazer isso, aquilo e aquilo outro.
Logo depois, cai a ficha: Se Deus é o senhor de tudo e até da minha vida, pra quê planejar tanto, se não sou eu quem manda? Por que dizer: “Deixe nas mãos de Deus”, se tudo nessa vida já está nas mãos dele mesmo?
Penso que posso fazer nada... “mas tem o tal do livre arbítrio”, e logo minha mente já me põe abaixo quando percebo os momentos que tentei não fazer algo, mas logo a vida me punha ali como se tivesse nascido praquilo.
Destinada a isso? Sem escolha de dizer “sim” ou “não”? Quem vai saber?
Foi então que resolvi escolher alguma coisa: “vou tomar café com leite”. Fui pra cozinha e mandei bem colocando o café na xícara, pensava: “isso aí, mandando na própria vida”. De repente, o leite ferveu e transbordou pelo fogão, não deixando uma gota que prestasse pra tomar.
“Ok Deus, já entendi, é só pra tomar o café”. Decisão de Deus.
Deixei a cozinha pra limpar depois. Decisão minha, só que não.

Ana Nery Machado.

18/09/2016

terça-feira, 8 de março de 2016

Eram gigantes sim

Por esses dias pensei: “Não são gigantes, são apenas moinhos de vento.”
No fim, Dom Quixote estava certo. Eram gigantes sim, eram gigantes que me resumiram em farrapos vergonhosos.
E eu pensando que o louco era ele, ou pelo menos, que era só ele.
Enquanto costuro os retalhos e refaço a minha armadura, Quixote e meu inseparável Dostoiévski perguntam: “Vamos viver os nossos sonhos?”

E eu saio em batalha, com meus fiéis escudeiros, mais uma vez.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Gisele e o desejo

Há dias que Gisele juntava dinheiro para comprar aquele lanche conhecido por todos daquela cidade fulgurante. Gisele não gostava da cidade, mas gostava do lanche. Ah, aquele lanche... podia se lembrar de quando passou naquela calçada pela primeira vez e começou a salivar de vontade. Enfim, precisava de dinheiro para comprar aquele lanche, e foi aí que fez os cálculos de quantos dias trabalhados precisava para sentar no restaurante Vinho Seco e provar aquela iguaria.
E assim foi feito, trabalhou com a barriga na chapa quente, lavou pratos brilhantemente, cortou verduras e montou marmitas no capricho, até que o dia chegou e juntou o valor adquirido dentro de um saco de supermercado, fez um nó e saiu enfiando tudo no bolso rasgado.
Andava a passos largos na Rua do Ouvidor quando chegou ao restaurante e sentou à beira mar, ainda com os sentimentos nervosos, entregando seu dinheiro ao garçom como se quisesse assegurar suas condições de pagar. Pediu o lanche com a veemência de um caçador, e com o lanche nas mãos, foi abocanhar o seu desejo ao passo que um maltrapilho clamou por comida às pessoas que ali estavam. Gisele fitava a situação ao longe, e ao mesmo tempo, perdeu o desejo da primeira mordida enquanto ninguém olhava para o homem que pedia.
Num arroubo, Gisele levantou com o lanche agarrado entre as duas mãos na direção do homem, foi chegando próximo e ofereceu – o antes que batesse o arrependimento. Mesmo que não tenha dito isto naquele momento, foi o que pensou.
Entregou o símbolo do seu trabalho de dias ao homem e saiu passando a mão na cabeça. O homem agachou no meio - fio da rua e engoliu o lanche numa mordida voraz.
Gisele botou a mão na calça, sentiu a sacola vazia e pensou que pelo menos havia alguma coisa para preencher o bolso. Olhou para a mesa em que estava sentada no restaurante, avistou a taça de vinho seco e sorriu da sua sorte que não era muita, mas também não era nada.
Ana Nery Machado
28/12/2015




quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Lição de Casa

Fico imaginando, quando eu, um bebê gorducho e careca como Buda, virei trabalho para um anjo da guarda.
Lá no céu...
- Ei, anjo, você vai ficar com esse bebê pra cuidar!
O chefe do anjo tira uma pasta do arquivo dos seres humanos e entrega para o anjo.
- Estuda, hein!
O anjo sai com a cabeça baixa, olhando fixamente para a pasta.

Aqui na Terra...
Quase três décadas depois, chego a algumas alternativas do que aconteceu depois da saída do anjo da sala do chefe.
A - Ele achou que não precisava estudar.
B – Ele jogou a pasta na lixeira mais próxima, com raiva do chefe.
C – Ele não sabia ler.
D – Ele era um estagiário.

Resultado...
Seu anjo não faz a lição de casa e quem se %*$#%@ é você!

MORAL: A LIÇÃO DE CASA É IMPORTANTE!
13-08-2015
Ana Nery Machado



quarta-feira, 8 de julho de 2015

Gilka Machado, sempre foi você!

(Começo) Vi um Stand de livros numa feira e logo pensei: “Vou passar longe, pois não posso comprar mais livros, nem tenho onde colocar, meu Deus!”

(Meio de Reflexão) Quase duas décadas atrás, quando percebi que o ato de escrever faria parte da minha vida, resolvi escolher um “sobrenome pseudônimo” e logo decidi que seria o sobrenome de um autor que escrevesse com características que eu admirava, foi quando surgiu o “Machado”... e muitos conhecidos chegaram a jurar que meu sobrenome fictício era verdadeiro, outros diziam até que era por causa de Machado de Assis, “lógico!”, mas eu digo que sempre foi por uma autora que escreveu crônicas, com  a alma, sobre as injustiças sociais da década de 20, muitas vezes tendo que se esconder com nomes masculinos nas páginas dos jornais, e quando trabalhava com a poesia, ousava na sensualidade, não admitindo as hipocrisias convencionais. Viúva do jornalista Rodolfo Machado, dona de pensão para sobreviver, Gilka Machado, sempre foi você!

(Fim) Uma hora depois, saí com o saldo de três livros, mas um deles é de cunho muito especial pra mim, pois quando o folheei, encontrei o nome de Gilka Machado “achado” entre nomes como Gregório de Matos e Augusto dos Anjos, ou seja, ela estava no seu devido lugar. É assim que eu gosto! 

Ana Nery Machado
09/07/2015

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Zezinho: sorte ou azar?

Era um dia comum e Zezinho foi à padaria comprar média para tomar café no outro dia de manhã, pois acordava muito cedo para trabalhar. Como de costume, pegou uma senha na entrada, número 86, gravou bem...
No dia seguinte, Zezinho foi à padaria novamente como em todos os dias e pegou uma senha na entrada, o espanto foi ter pegado o número 86 como no dia anterior. Recordou-se da sua mãe dizendo: “Vou jogar na mega, coincidências não existem, isto é um sinal!” Ouviu isso a vida toda, a verdade é que cada vez que sua mãe sonhava ou via em algum lugar coincidências numéricas, logo ia jogando na mega e nunca ganhou. Por isso, Zezinho nunca acreditou na sorte, “mas quem sabe não seria diferente?” Pensou.
Contou as moedas, ou era o pão ou o jogo, pois o dinheiro não dava pros dois, devolveu a senha e saiu rapidamente da padaria, o sorteio seria naquela noite, não poderia deixar passar. Foi até a lotérica da esquina e já que não tinha 86 na tabela, começou a fazer combinações, subtrações e somas com os dois números.  Fechou a tabela e pagou o jogo. Agora era ir pra casa e torcer...
Zezinho comia as unhas já que o pão de cada dia estava num pedaço de papel numérico, olhava para os números intercalando com o porta-retrato em que estava sua mãe.
Começou o sorteio, fez-se um silêncio na alma de Zezinho quando percebeu que acertara nenhum número, lembrou que no dia seguinte não tinha pão para tomar o café e o estômago parecia gritar um ditado que sua mãe sempre dizia: “Ganhei o mesmo que Luzia atrás da horta.” O que foi que Luzia ganhou? Nem Zezinho sabia, mas tinha a impressão de ter ganhado o mesmo.

Ana Nery Machado
28/05/2015

E você, o que acha?

Acho que neste momento eu preciso escrever mais e amar menos. Aná Nery Machado 14/06/2020