sábado, 25 de maio de 2013

Mariana

Uma amiga chama a outra pra desabafar.
Mariana – Camila, eu estou depressiva.
Camila – Sei, depressiva.
Mariana – Eu só choro, não sei mais o que fazer, preciso de ajuda.
Camila – Ah, sim, vou te ajudar.
Mariana – Nada está indo bem, nada bem. Eu sinto que vou me matar.
Camila – E porque você não faz isso agora?
Mariana – Hã!?
Camila – É, ué! Você não quer se matar? Então, isso porque você é a única excluída do universo, é a única que Deus não olha no mundo, você é aquela que nunca teve chance na vida, não é? A impressão que eu tenho, é que isso só acontece com você , porque todo mundo é rico no mundo, tem problema nenhum e ainda quando morrer, vai pro paraíso direto, sem julgamento, nem nada, olha que beleza. Francamente Mariana, você tinha que ter esse nome mesmo: “Maria” e “Ana”, só nome de gente sofrida, aff, só que só tem um detalhe, você não é a mãe de Jesus, não, minha filha. Mariana, engole o choro, engole Mariana. Ai, como é difícil ajudar uma amiga viu... Engasgou, pára Mariana de chorar, que foi, entalou agora?
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Camila – Tá bom, o que você prefere? Uma corda pendurada ou uma coisa mais deslumbrante como você estar distraída no meio da rua e eu passar por cima com um carro? Que foi? Ai, essas pessoas que não sabem o que querem da vida. Um tiro na testa? Não? Overdose por remédios? Ó, essa dá manchete hein... #partiusucesso depois que for pro lado de lá. Drogas, não hein, isso queima a imagem, não  rola...

Ana Nery Machado
24/05/2013

Mãe e Filho

Mãe e filho estão numa loja de acessórios para motos lotada.
Filho – Cara, você vê pra mim uma capa de chuva.
Balconista – Eu vou ter essa aqui.
Mãe – Essa aqui? Olha pra esse material, é fraquinho demais, esse menino aqui vai rasgar em um minuto, ele não tem cuidado com nada, se não rasgar, vai perder. Você não tem nada mais fortinho não?  
Filho – E trava, você teria qual aí?
O balconista mostra a trava.
Mãe – Essa travinha aí? Isso aí vai sumir na primeira volta, você não tem nada aí com aquele negócio GPS, um sensor de presença, até meu telefone sem fio em casa tem isso daí. Porque esse menino é preocupante, ele estacionou a moto sem colocar o pezinho. Gente, esse menino não dá, vocês tem que ver ele lá em casa, ele pega o fio dental e brinca de esconde-esconde com a gente, parece até que é bichinho de estimação, aonde ele vai, o fio vai atrás. Quando ele tinha 06 anos, eu perguntava o que ele queria ser quando crescesse, ele dizia que queria ser um tal de “Espinha e Fimose”, poxa, se ainda fosse o Super-Homem. Deixa a mamãe falar filho...
Filho – Mãe, vamos, depois vejo isso. Valeu, cara.
Mãe – Olha, mas eu amo muito esse menino, ele vai ser sempre aquele bebê sacudinho da mamãe. Filho, o que você acha de vender a moto? Mamãe te leva e te busca...

Ana Nery Machado
18/05/2013




A Empregada

Ronaldo (pai) – Mas, o que significa isto?
(O filho e a empregada na cama)
Maurício (filho) – Pai, eu posso explicar...
Gisleine (empregada) – Sr. Ronaldo, a gente tá procurando o brinco do Maurício.
Ronaldo – Maurício, se te pego se enroscando com a Gisleine de novo te deixo 01 ano sem X-box.
Maurício – Nãooo, sem X-box  não pai, agora que eu fiquei 02 semanas pra chegar na fase 03.
Ronaldo – Gisleine, eu pensei que você fosse só minha, eu te prometi aqueles panos de prato da praia da Pipa, lembra? E o DVD de Arrocha?
Renata (mãe) entra.
Renata – O que tá acontecendo nesse quarto?
Maurício – Mãe, a gente tá procurando meu brinco.
Renata – Precisava ser em cima da cama? Gisleine pensei que você tinha entendido quando te prometi aquela Victor Hugo que você tanto queria.
Vovô entra.
Vovô – Que confusão é essa aqui nesse quarto, um falatório...  Ué, tão brincando de modelo vivo?
Renata – Não é bem isso papai.
Vovô - Gisleine, eu disse que ia fazer de tudo pra conseguir aquele dente de ouro que você me pediu, até já peguei um empréstimo de aposentado, tô com dívida até o fim da vida.
Ronaldo – Que bom que falta pouco né vovô.
Zelador entra correndo.
Zelador – Gente, eu vim pedir a mão da Gisleine em casamento, já que tá todo mundo junto, eu vi vocês subindo (no elevador).
Ronaldo - Você já pensou em pegar senha?
Maurício – Achei! O brinco, gente. Achei!
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Créditos.
Ricardo: Compra os panos de prato da praia da Pipa pela internet (ou vai numa banca de DVD).
Renata: Entra na loja da Victor Hugo.
Vovô: Olha pra caderneta de poupança da Caixa.
Maurício: Entra numa loja pra furar a orelha. ( O brinco era de quem mesmo?).

Texto de Ana Nery Machado            Idealizado por Katia Lira                                                                  02/05/2013

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Ela roubou o modem da internet

Kelly era assim: muito ciumenta, mas muito ciumenta. Marco não agüentava, ligações a toda hora por vários minutos, dizendo “ahta” e “tábom” cansativos. Quando ele não queria falar, era um problema sem causa...
Mas a Kelly tinha um vilão maior; era o modem da internet. O aparelho que fazia com que Marco tivesse acesso a um mundo de E-mails, Orkut, MSN, Facebook e todas esses meios de relacionamento virtual que o ser humano aceitou para se complicar ainda mais. Para Kelly, aquilo era o fim, vinha a anos tentando se livrar daquele monstro quadrado, preto, cheio de luzes piscantes. Foi aí que ela armou tudo, iria brigar com o Marco por qualquer coisa relacionada aos “sites de estraga relacionamento” e desapareceria com o modem da internet. E assim ela fez, Marco entrou na internet, o MSN entrou automaticamente online, uma tal de Sheila disse “oi”, pronto, começou a discussão, ele disse que era a mulher de um amigo do trabalho e ela não acreditou (e nem queria acreditar), saiu tirando todos os fios do modem (tô até vendo o modem desesperado) e enfiou-o dentro de um saco de lixo: “nunca mais você vai ver esse modem, quero ver agora você entrar nessa internet”, saiu despavorida pela porta abaixo, sim, abaixo, é que eles moram num morro, e a kelly saiu descendo o morro com o modem dentro do saco de lixo e debaixo do braço, Marco bem que tentou sair atrás, mas quando se deu conta, ela já estava lá embaixo: “quer o modem, vem buscar”, ele acenou dando adeus ao seu aparelho tão companheiro. Kelly sumiu com o modem e voltou uma hora depois, Marco estava na sala com um casal de amigos: Antônio e sua mulher: Sheila. O amigo de Marco aproveitou o MSN da esposa que estava online para avisar que estavam indo fazer uma visita.
E o modem?  A operadora enviou outro em 2 dias úteis, e assim, Marco não ficou sem suas páginas de relacionamento que estragam a vida da Kelly.


Ana Nery Machado
07/2011







Amar

Amar
De Amor
É tão bom!
Mas, cansa.

Ana Nery Machado
07/2011

Pecado

Mora ao lado.
Logo ali.
É só ir.
Aqui.
Em mim.
Em ti.
Claro, que se preferir.
  
Ana Nery Machado
07/2011

Cadê?

A ausência é o maior pecado do homem-macho e o primeiro problema da mulher-fêmea.
Cadê a presença?
Não sei.

Ana Nery Machado
07/2011

terça-feira, 31 de maio de 2011

Parada


Fiquei um tempo Parada, eu sei.
Parada olhando o tempo,
Parada dando um tempo,
Lendo as entrelinhas que azedaram o doce na boca do céu da boca...
As palavras voltaram...

Ana Nery Machado
31/05/2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

Aprendi


Aprendi que muita gente diz o que quer e depois vai embora,
Aprendi que homens trocam de mulher que nem trocam de roupa,
Aprendi que tudo muda, tudo mesmo,
Aprendi que amigos nem sempre são amigos,
Aprendi que aqueles que são amigos, são amigos para a vida inteira,
Aprendi que não vale a pena ter inimigos,
Aprendi que colegas de trabalho podem ser seus companheiros das horas difíceis,
Aprendi que se pode ter um respeito incontestável por um chefe,
Aprendi que um chefe pode ser a pessoa mais honesta que conheceu na vida,
Aprendi que as pessoas usam e abusam da bondade alheia,
Aprendi que dizer Eu te amo! Não quer dizer nada para muitos,
Aprendi que não se deve acreditar no que as pessoas te falam em primeiro,
Aprendi que meu pai sempre esteve certo,
Aprendi a amar minha mãe como nunca havia amado,
Aprendi que família é importante,
Aprendi que viajar é a minha vida,
Aprendi a observar e deixar o outro falar,
Aprendi a não enganar meu coração e dizer a verdade sempre,
Aprendi a parar de sofrer na hora que precisa parar,
Aprendi que um estranho pode ser seu melhor amigo em horas,
Aprendi que não se deve, em hipótese alguma, bajular uma pessoa mais que eu mesma,
Aprendi a botar nas mãos de Deus só aquilo que não está ao meu alcance,
Aprendi a despejar as palavras certas para quem merece ouvi-las,
Aprendi a dizer que estou feliz apenas quando estou feliz de verdade, e mesmo,
Aprendi que ser feliz sozinho, ao contrário do que muita gente pensa, é muito mais fácil,
Aprendi que é muito mais fácil e verdadeiro,
Aprendi que nasci pra casar e ter filhos, mas só quando for da vontade de Deus,
Aprendi que quando o mundo parece ter acabado, a história está apenas começando...

Ana Nery Machado
25/03/2011




terça-feira, 15 de março de 2011

Horóscopo

Eu tenho uma mania inútil e estranha, que nunca gostei muito. Mas quem foi que disse que a gente tem que gostar da mania da gente? Eu leio três horóscopos por dia, isso mesmo, coisa ridícula de se contar e esconder.
Todos os dias eu procuro as mesmas três páginas na web e leio um a um, o interessante é que não sei por que faço isso se não acredito em horóscopo. É bem o que você entendeu, eu leio três horóscopos por dia sendo que não acredito em nenhum deles.
Ou melhor, dizendo, se ele fala coisas boas, eu não acredito porque acho que é bom demais pra ser verdade, se ele fala mal de alguma coisa, eu não acredito que aquilo vai acontecer só porque alguém escreveu aquilo. Porém, se pararmos para analisar, todos eles mesclam informações boas, ruins e médias, que deixam nossa mente confusa, sem julgamentos precisos daquele dia, e isso quando você não encontra a análise do horóscopo vizinho, no seu próprio horóscopo, no dia seguinte.
Tem gente que conta sobre a “teoria da água”, dizem que como a maré sofre influencia sobre a lua, o corpo humano que é composto entre 70 e 75% de água também tem suas mutações lunares, o que explicaria talvez as características humanas nos horóscopos referente a data e hora de nascimentos por aí no mundo.
Pois bem, mas daí eu tiro uma pergunta, meu horóscopo é regido por Vênus, logo não é pela lua, e Vênus, que eu saiba, não é perturbada pelos temperamentos da água em si ou vice-e-versa.
Sei lá, melhor parar por aqui com esta história toda, a vida astral que se resolva.

Ana Nery Machado
15/03/2011




segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Folhas Amareladas


O telefone tocou. Era o chefe:
- Abelinha, já escreveu alguma coisa?
- Não senhor, quando terminar aqui, pode deixar que mando pra redação. Desliguei o telefone.
“Merda, preciso escrever”. Pensei. Eu caminhava da janela para a mesa várias vezes, com a xícara de café na mão e uma bituca (de cigarro) na outra.
Na janela encontrava o barulho lá fora, os carros entulhados, os pedestres trombando com filas, lotéricas e inúmeras fichas.
Na mesa encontrava-se um bando de folhas amareladas esperando por um rabisco ao menos, um ensaio para escrever. O suor escorria na testa e caía sobre a camisa já manchada dos cigarros da minha vida. O jeito foi pegar uma folha amarelada para enxugar as crinas.
O café acabou, e então pedi socorro ao wisky que comprei na véspera, talvez ele me desse a condição necessária para começar a escrever. Mas a cada começo de linha, acabava não gostando de nada e jogava fora uma nova folha de papel amarelada e amassada.
Já estava angustiado, quando acabei de perceber: “Merda, escrevi!”
Mandei pra redação.

Ana Nery Machado
Original de 18/01/2004
21/02/2011



E você, o que acha?

Acho que neste momento eu preciso escrever mais e amar menos. Aná Nery Machado 14/06/2020