Nunca tive medo, muito menos vergonha do ridículo, acho que estamos aqui para testar de tudo mesmo, e enquanto alguns olham o que eu faço, eu faço e pronto. Cheguei numa idade que não me preocupo mais com o que as pessoas pensam de mim. Pouco me importa se gostam do que falo, até porque o que penso, pouca gente sabe. Isso tira um peso das costas... Não ter a obrigação de ter que agradar, de ser legal pra todo mundo. Quero que se lasque o “todo mundo”, eu amo quem eu quero, peço desculpas pra quem respeito e convivo e vivo com minha consciência em paz. Como gosto de pensar que essa vida é breve e que a alma é eterna. Isso mantém o voo alto e qualquer sonho possível. Ah, hoje amanheci amiga dos pensamentos, dos bons pensamentos, e vou dormir com eles. Ana Nery Machado. 10/2016
Um Canto no Mundo que reflete sobre Língua, Literatura e Pensamento. Não necessariamente nesta ordem e organização, mas tudo bem. Divirta-se! Esta é uma página de Aná Nery Machado.
sábado, 29 de outubro de 2016
Não gosto de óculos escuros.
Não gosto de óculos
escuros.
Não fique com raiva,
prefiro me aprofundar
na sua alma,
e não no reflexo da
minha.
Não gosto de óculos
escuros.
29/10/2016
domingo, 18 de setembro de 2016
A menina dos pensamentos mágicos
Era uma vez uma menina que vivia num mundo de pensamentos
mágicos.
Essa menina tinha como o mundo a sua casa.
Seus brinquedos favoritos eram a TV pra ver desenho e o
vestido de casamento da sua mamãe.
Colocava o vestido com frequencia e desfilava como numa
passarela, e logo sua mãe aparecia para dizer que “não podia”.
A menina tinha poucas bonecas, mas as que tinham, eram suas
melhores amigas. Tomavam chá com ela sempre e ficavam falando sobre a vida.
Uma bela noite, algo incrível aconteceu.
Sua mãe falou que ela iria rezar.
- Rezar, mamãe.
- Isso mesmo filha. Antes de dormir, quero que você reze
para nossa senhora, José e o menino Jesus.
- Hunnn, onde eles moram, mamãe?
A mãe vendo a necessidade de explicar, abriu janela de
madeira do quarto, pediu pra menina
ficar de pé na cama para poder conseguir ver o céu
estrelado.
- Ali, filha. Eles moram na lua.
- É, mamãe!? Que incrível morar na lua. Então vamos rezar...
A menina pegou a mão da mamãe e as duas começaram a rezar.
A partir daquele dia, a menina esperava a noite chegar para
dar um olá pra sagrada família, até podia ver os rostos deles de lá. E rezava.
Ainda hoje, no auge dos 32 anos, ainda pode jurar que era
verdade.
Reflexões de um dia aí
Ah... A vida!
Todo dia quando abro os olhos,
agradeço pelo dia.
Mas logo os pensamentos chegam, e
começo a querer a comandar a minha vida. Digo a mim mesma: vou fazer isso,
aquilo e aquilo outro.
Logo depois, cai a ficha: Se Deus
é o senhor de tudo e até da minha vida, pra quê planejar tanto, se não sou eu
quem manda? Por que dizer: “Deixe nas mãos de Deus”, se tudo nessa vida já está
nas mãos dele mesmo?
Penso que posso fazer nada...
“mas tem o tal do livre arbítrio”, e logo minha mente já me põe abaixo quando
percebo os momentos que tentei não fazer algo, mas logo a vida me punha ali
como se tivesse nascido praquilo.
Destinada a isso? Sem escolha de
dizer “sim” ou “não”? Quem vai saber?
Foi então que resolvi escolher
alguma coisa: “vou tomar café com leite”. Fui pra cozinha e mandei bem
colocando o café na xícara, pensava: “isso aí, mandando na própria vida”. De
repente, o leite ferveu e transbordou pelo fogão, não deixando uma gota que
prestasse pra tomar.
“Ok Deus, já entendi, é só pra
tomar o café”. Decisão de Deus.
Deixei a cozinha pra limpar
depois. Decisão minha, só que não.
Ana Nery Machado.
18/09/2016
terça-feira, 8 de março de 2016
Eram gigantes sim
Por esses dias pensei: “Não são
gigantes, são apenas moinhos de vento.”
No fim, Dom Quixote estava certo.
Eram gigantes sim, eram gigantes que me resumiram em farrapos vergonhosos.
E eu pensando que o louco era
ele, ou pelo menos, que era só ele.
Enquanto costuro os retalhos e
refaço a minha armadura, Quixote e meu inseparável Dostoiévski perguntam: “Vamos
viver os nossos sonhos?”
E eu saio em batalha, com meus
fiéis escudeiros, mais uma vez.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Gisele e o desejo
Há dias que Gisele juntava
dinheiro para comprar aquele lanche conhecido por todos daquela cidade fulgurante.
Gisele não gostava da cidade, mas gostava do lanche. Ah, aquele lanche... podia
se lembrar de quando passou naquela calçada pela primeira vez e começou a
salivar de vontade. Enfim, precisava de dinheiro para comprar aquele lanche, e
foi aí que fez os cálculos de quantos dias trabalhados precisava para sentar no
restaurante Vinho Seco e provar
aquela iguaria.
E assim foi feito, trabalhou com
a barriga na chapa quente, lavou pratos brilhantemente, cortou verduras e montou marmitas no capricho, até que o dia chegou e juntou o valor adquirido
dentro de um saco de supermercado, fez um nó e saiu enfiando tudo no bolso
rasgado.
Andava a passos largos na Rua do
Ouvidor quando chegou ao restaurante e sentou à beira mar, ainda com os
sentimentos nervosos, entregando seu dinheiro ao garçom como se quisesse
assegurar suas condições de pagar. Pediu o lanche com a veemência de um
caçador, e com o lanche nas mãos, foi abocanhar o seu desejo ao passo que um
maltrapilho clamou por comida às pessoas que ali estavam. Gisele fitava a
situação ao longe, e ao mesmo tempo, perdeu o desejo da primeira mordida enquanto
ninguém olhava para o homem que pedia.
Num arroubo, Gisele levantou com
o lanche agarrado entre as duas mãos na direção do homem, foi chegando próximo e
ofereceu – o antes que batesse o arrependimento. Mesmo que não tenha dito isto
naquele momento, foi o que pensou.
Entregou o símbolo do seu
trabalho de dias ao homem e saiu passando a mão na cabeça. O homem agachou no
meio - fio da rua e engoliu o lanche numa mordida voraz.
Gisele botou a mão na calça,
sentiu a sacola vazia e pensou que pelo menos havia alguma coisa para preencher
o bolso. Olhou para a mesa em que estava sentada no restaurante, avistou a taça
de vinho seco e sorriu da sua sorte que não era muita, mas também não era nada.
Ana Nery Machado
28/12/2015
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Lição de Casa
Fico imaginando, quando eu, um bebê gorducho e careca como Buda,
virei trabalho para um anjo da guarda.
Lá no céu...
- Ei, anjo, você
vai ficar com esse bebê pra cuidar!
O chefe do
anjo tira uma pasta do arquivo dos seres humanos e entrega para o anjo.
- Estuda, hein!
O anjo sai
com a cabeça baixa, olhando fixamente para a pasta.
Aqui na
Terra...
Quase três décadas
depois, chego a algumas alternativas do que aconteceu depois da saída do anjo
da sala do chefe.
A - Ele
achou que não precisava estudar.
B – Ele jogou
a pasta na lixeira mais próxima, com raiva do chefe.
C – Ele não
sabia ler.
D – Ele era
um estagiário.
Resultado...
Seu anjo não
faz a lição de casa e quem se %*$#%@ é você!
MORAL: A LIÇÃO DE CASA É IMPORTANTE!
13-08-2015
Ana Nery
Machado
quarta-feira, 8 de julho de 2015
Gilka Machado, sempre foi você!
(Começo) Vi um Stand de livros
numa feira e logo pensei: “Vou passar longe, pois não posso comprar mais
livros, nem tenho onde colocar, meu Deus!”
(Meio de Reflexão) Quase duas
décadas atrás, quando percebi que o ato de escrever faria parte da minha vida,
resolvi escolher um “sobrenome pseudônimo” e logo decidi que seria o sobrenome
de um autor que escrevesse com características que eu admirava, foi quando
surgiu o “Machado”... e muitos conhecidos chegaram a jurar que meu sobrenome
fictício era verdadeiro, outros diziam até que era por causa de Machado de
Assis, “lógico!”, mas eu digo que sempre foi por uma autora que escreveu
crônicas, com a alma, sobre as injustiças sociais da
década de 20, muitas vezes tendo que se esconder com nomes masculinos nas
páginas dos jornais, e quando trabalhava com a poesia, ousava na sensualidade,
não admitindo as hipocrisias convencionais. Viúva do jornalista Rodolfo
Machado, dona de pensão para sobreviver, Gilka Machado, sempre foi você!
(Fim) Uma hora depois, saí com o
saldo de três livros, mas um deles é de cunho muito especial pra mim, pois
quando o folheei, encontrei o nome de Gilka Machado “achado” entre nomes como
Gregório de Matos e Augusto dos Anjos, ou seja, ela estava no seu devido lugar.
É assim que eu gosto!
Ana Nery Machado
09/07/2015
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Zezinho: sorte ou azar?
Era um dia comum e Zezinho foi à
padaria comprar média para tomar café no outro dia de manhã, pois acordava
muito cedo para trabalhar. Como de costume, pegou uma senha na entrada, número 86,
gravou bem...
No dia seguinte, Zezinho foi à
padaria novamente como em todos os dias e pegou uma senha na entrada, o espanto
foi ter pegado o número 86 como no dia anterior. Recordou-se da sua mãe dizendo:
“Vou jogar na mega, coincidências não existem, isto é um sinal!” Ouviu isso a
vida toda, a verdade é que cada vez que sua mãe sonhava ou via em algum lugar coincidências
numéricas, logo ia jogando na mega e nunca ganhou. Por isso, Zezinho nunca
acreditou na sorte, “mas quem sabe não seria diferente?” Pensou.
Contou as moedas, ou era o pão ou
o jogo, pois o dinheiro não dava pros dois, devolveu a senha e saiu rapidamente
da padaria, o sorteio seria naquela noite, não poderia deixar passar. Foi até a
lotérica da esquina e já que não tinha 86 na tabela, começou a fazer combinações,
subtrações e somas com os dois números.
Fechou a tabela e pagou o jogo. Agora era ir pra casa e torcer...
Zezinho comia as unhas já que o
pão de cada dia estava num pedaço de papel numérico, olhava para os números
intercalando com o porta-retrato em que estava sua mãe.
Começou o sorteio, fez-se um
silêncio na alma de Zezinho quando percebeu que acertara nenhum número, lembrou
que no dia seguinte não tinha pão para tomar o café e o estômago parecia gritar
um ditado que sua mãe sempre dizia: “Ganhei o mesmo que Luzia atrás da horta.” O
que foi que Luzia ganhou? Nem Zezinho sabia, mas tinha a impressão de ter
ganhado o mesmo.
Ana Nery Machado
28/05/2015
A política é suja, e você?
A política é suja e isso todo mundo sabe faz tempo. Quero
dizer que não tenho preferências partidárias, mas sinto a necessidade de escrever
sobre a situação tragicômica por que passa o país.
Sinto um incômodo muito grande quando vejo parlamentares
votando contra interesses do trabalhador. No caso da terceirização, por exemplo,
dizem que essas medidas protegem mais o trabalhador terceirizado. Ora, digo que
a terceirização nem deveria existir, quanto mais suas medidas de melhorias.
E no caso do seguro-desemprego, então? Esse é o raciocínio
mais safado que já vi. O país vive um dos seus momentos mais recessivos nas
áreas econômica, trabalhista e tantas outras, e os políticos argumentam que é
para evitar a malandragem? Na hora
que os desempregados mais precisam, eles aumentam o prazo para ter direito ao
subsídio? Não deveria ser ao contrário?
Não posso deixar de falar da pensão alimentícia que foi modificada
porque o governo não quer mais que aconteça o golpe das viúvas negras; Que desculpa pra boi dormir, eu fico imaginando uma
mulher que largou o emprego para cuidar dos filhos e provavelmente não pretende
voltar a trabalhar até eles completarem 18 anos, pelo menos. Aí, de repente, o
cônjuge morre inesperadamente e ela descobre que precisa voltar a trabalhar,
pois a pensão não é 100% e não vai durar o prazo da maioridade dos filhos, e
mesmo que fosse, será que ela conseguiria voltar ao mercado de trabalho na sua
área (com boa remuneração) após os 30 anos ou mais? E se conseguir, quem vai
cuidar dos filhos dela? Nem todo mundo tem apoio de família nessas horas, isso
quando tem família... Ah tá, tem a creche, lógico, porque não pensei nisso?!
(risos).
Ajuste Fiscal... essa palavra parece luzes piscantes na minha
cabeça, pois ajuste fiscal, para mim, seria os senhores da política retirar do
bolso tudo que roubaram do povo, ajuste fiscal é diminuir ministérios, uma vez
que muitos foram criados para fazer acordos entre partidos e cabides de
emprego, ajuste fiscal é diminuir impostos e nunca aumentá-los no caso do
Brasil, já que a população pagante não
tem retorno dos valores que deveriam ser atribuídos à saúde, educação,
alimentação e moradia, no mínimo.
E as bolsas? Sou totalmente de acordo, desde que tenha um
planejamento eficaz e não fique a conta pra quem já trabalha demais e vai ter
milhões de pessoas para sustentar.
É para refletir, não para acusar. É falta de se colocar no
lugar do outro.
Ana Nery Machado
28/05/2015
quinta-feira, 21 de maio de 2015
A Oração
Mãe, hoje é o dia que se comemora o Dia das Mães e
fiquei a lembrar dos poucos momentos que tivemos juntas...
Lembrei que você foi a primeira pessoa quem me
ensinou a orar. Um dia, eu, na fase dos porquês, um poço de fofura, perguntei
onde morava Jesus. Fitou o teto de forma pensativa... com as mãos no queixo,
olhou pra mim e andou até a janela, abriu-a e me ajudou a subir na cama para
avistar melhor lá fora.
Quando ficamos emparelhadas na janela, você apontou
pro céu e disse: Ali!
Era a Lua, linda, iluminada e mágica, como sempre!
Fiquei observando e de tanto acreditar, admito que
cheguei a ver Jesus, com Nossa Senhora e
São José. A imaginação de uma criança é ilimitada, ainda mais quando se une com
a fé. Dali em diante, confiei que o sagrado morava na Lua, então, juntei minhas
mãozinhas e me pus a orar.
Até hoje é assim, com a diferença que quando oro
todos os dias, imagino a Lua com a Família Sagrada, e Você.
PS: Obrigada por ter aceitado minha vida em ti.
10/05/2015
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E você, o que acha?
Acho que neste momento eu preciso escrever mais e amar menos. Aná Nery Machado 14/06/2020
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O mesmo que diz ser amor é o que atira a pedra na rua sem saber por quê. Desalento, o passado mora ao lado sem querer. Primeiro é necessário...
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Acordo. Atravesso a sala Com as calças largadas ao vento, minha caneca atravessada na mão e só. Passo à janela, visão preto-e-branco pela ma...
