quarta-feira, 8 de julho de 2015

Gilka Machado, sempre foi você!

(Começo) Vi um Stand de livros numa feira e logo pensei: “Vou passar longe, pois não posso comprar mais livros, nem tenho onde colocar, meu Deus!”

(Meio de Reflexão) Quase duas décadas atrás, quando percebi que o ato de escrever faria parte da minha vida, resolvi escolher um “sobrenome pseudônimo” e logo decidi que seria o sobrenome de um autor que escrevesse com características que eu admirava, foi quando surgiu o “Machado”... e muitos conhecidos chegaram a jurar que meu sobrenome fictício era verdadeiro, outros diziam até que era por causa de Machado de Assis, “lógico!”, mas eu digo que sempre foi por uma autora que escreveu crônicas, com  a alma, sobre as injustiças sociais da década de 20, muitas vezes tendo que se esconder com nomes masculinos nas páginas dos jornais, e quando trabalhava com a poesia, ousava na sensualidade, não admitindo as hipocrisias convencionais. Viúva do jornalista Rodolfo Machado, dona de pensão para sobreviver, Gilka Machado, sempre foi você!

(Fim) Uma hora depois, saí com o saldo de três livros, mas um deles é de cunho muito especial pra mim, pois quando o folheei, encontrei o nome de Gilka Machado “achado” entre nomes como Gregório de Matos e Augusto dos Anjos, ou seja, ela estava no seu devido lugar. É assim que eu gosto! 

Ana Nery Machado
09/07/2015

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Zezinho: sorte ou azar?

Era um dia comum e Zezinho foi à padaria comprar média para tomar café no outro dia de manhã, pois acordava muito cedo para trabalhar. Como de costume, pegou uma senha na entrada, número 86, gravou bem...
No dia seguinte, Zezinho foi à padaria novamente como em todos os dias e pegou uma senha na entrada, o espanto foi ter pegado o número 86 como no dia anterior. Recordou-se da sua mãe dizendo: “Vou jogar na mega, coincidências não existem, isto é um sinal!” Ouviu isso a vida toda, a verdade é que cada vez que sua mãe sonhava ou via em algum lugar coincidências numéricas, logo ia jogando na mega e nunca ganhou. Por isso, Zezinho nunca acreditou na sorte, “mas quem sabe não seria diferente?” Pensou.
Contou as moedas, ou era o pão ou o jogo, pois o dinheiro não dava pros dois, devolveu a senha e saiu rapidamente da padaria, o sorteio seria naquela noite, não poderia deixar passar. Foi até a lotérica da esquina e já que não tinha 86 na tabela, começou a fazer combinações, subtrações e somas com os dois números.  Fechou a tabela e pagou o jogo. Agora era ir pra casa e torcer...
Zezinho comia as unhas já que o pão de cada dia estava num pedaço de papel numérico, olhava para os números intercalando com o porta-retrato em que estava sua mãe.
Começou o sorteio, fez-se um silêncio na alma de Zezinho quando percebeu que acertara nenhum número, lembrou que no dia seguinte não tinha pão para tomar o café e o estômago parecia gritar um ditado que sua mãe sempre dizia: “Ganhei o mesmo que Luzia atrás da horta.” O que foi que Luzia ganhou? Nem Zezinho sabia, mas tinha a impressão de ter ganhado o mesmo.

Ana Nery Machado
28/05/2015

A política é suja, e você?

A política é suja e isso todo mundo sabe faz tempo. Quero dizer que não tenho preferências partidárias, mas sinto a necessidade de escrever sobre a situação tragicômica por que passa o país.
Sinto um incômodo muito grande quando vejo parlamentares votando contra interesses do trabalhador. No caso da terceirização, por exemplo, dizem que essas medidas protegem mais o trabalhador terceirizado. Ora, digo que a terceirização nem deveria existir, quanto mais suas medidas de melhorias.
E no caso do seguro-desemprego, então? Esse é o raciocínio mais safado que já vi. O país vive um dos seus momentos mais recessivos nas áreas econômica, trabalhista e tantas outras, e os políticos argumentam que é para evitar a malandragem? Na hora que os desempregados mais precisam, eles aumentam o prazo para ter direito ao subsídio? Não deveria ser ao contrário?  
Não posso deixar de falar da pensão alimentícia que foi modificada porque o governo não quer mais que aconteça o golpe das viúvas negras; Que desculpa pra boi dormir, eu fico imaginando uma mulher que largou o emprego para cuidar dos filhos e provavelmente não pretende voltar a trabalhar até eles completarem 18 anos, pelo menos. Aí, de repente, o cônjuge morre inesperadamente e ela descobre que precisa voltar a trabalhar, pois a pensão não é 100% e não vai durar o prazo da maioridade dos filhos, e mesmo que fosse, será que ela conseguiria voltar ao mercado de trabalho na sua área (com boa remuneração) após os 30 anos ou mais? E se conseguir, quem vai cuidar dos filhos dela? Nem todo mundo tem apoio de família nessas horas, isso quando tem família... Ah tá, tem a creche, lógico, porque não pensei nisso?! (risos).
Ajuste Fiscal... essa palavra parece luzes piscantes na minha cabeça, pois ajuste fiscal, para mim, seria os senhores da política retirar do bolso tudo que roubaram do povo, ajuste fiscal é diminuir ministérios, uma vez que muitos foram criados para fazer acordos entre partidos e cabides de emprego, ajuste fiscal é diminuir impostos e nunca aumentá-los no caso do Brasil, já que a população pagante não tem retorno dos valores que deveriam ser atribuídos à saúde, educação, alimentação e moradia, no mínimo.
E as bolsas? Sou totalmente de acordo, desde que tenha um planejamento eficaz e não fique a conta pra quem já trabalha demais e vai ter milhões de pessoas para sustentar.
É para refletir, não para acusar. É falta de se colocar no lugar do outro.

Ana Nery Machado

28/05/2015

quinta-feira, 21 de maio de 2015

A Oração

Mãe, hoje é o dia que se comemora o Dia das Mães e fiquei a lembrar dos poucos momentos que tivemos juntas...
Lembrei que você foi a primeira pessoa quem me ensinou a orar. Um dia, eu, na fase dos porquês, um poço de fofura, perguntei onde morava Jesus. Fitou o teto de forma pensativa... com as mãos no queixo, olhou pra mim e andou até a janela, abriu-a e me ajudou a subir na cama para avistar melhor lá fora.
Quando ficamos emparelhadas na janela, você apontou pro céu e disse: Ali!
Era a Lua, linda, iluminada e mágica, como sempre!
Fiquei observando e de tanto acreditar, admito que cheguei a ver Jesus, com Nossa Senhora  e São José. A imaginação de uma criança é ilimitada, ainda mais quando se une com a fé. Dali em diante, confiei que o sagrado morava na Lua, então, juntei minhas mãozinhas e me pus a orar.
Até hoje é assim, com a diferença que quando oro todos os dias, imagino a Lua com a Família Sagrada, e Você.

PS: Obrigada por ter aceitado minha vida em ti.

10/05/2015

Você me bateria, Sociedade?

Eu não sou um coitadinho, eu sou o que te formou ontem e o que te formará amanhã.
Eu sou o mal necessário pra você, classe abastada; e o caminho da libertação para os humildes, embora passe longe da vocação de Jesus Cristo.
Eu sou o que te chamou atenção porque bateu no colega ou porque esqueceu o caderno e não fez a lição.
Você perguntava: Pra quê estou aprendendo isso? E eu respondia: Para a vida!
Eu te dei limites para que soubesse viver em sociedade, para que aprendesse a dividir com seu irmão ou não zombasse do coleguinha.
Eu sou o que te chamou atenção por estar gritando na sala, só pra chamar a atenção da menina por quem estava apaixonado.
Eu sou aquele que te deu conselhos sobre assuntos íntimos quando você não tinha coragem de conversar com seus pais.
Ana Lúcia, Eliane, Regina, João Tadeu, Pinheiro, Abmael, Laís; sou todos eles e muito mais.
E embora não tenha percebido, você é uma porção de todos eles também.
Sou a tia do parquinho, sou o professor de matemática que não ria nunca para manter o respeito da sala, sou o professor de português que amava literatura, sou o professor de filosofia que falava sobre a maiêutica maluca, sou o conjunto de vozes que se torna você no amanhã.
Sou a professora pra quem você levava a maça toda murcha e enrolada na mochila da escola para demonstrar o seu carinho e gratidão, mesmo sem expressar uma palavra.
Sou o professor pra quem você se arrependeu de não ter levado uma maça; aquele que te respondia: Para a vida!

Mas por quê? Mas pra quê? Depois dessa época, você me esqueceu, finge que não me vê todos os dias, zomba da minha dignidade e desrespeita o meu ofício.

Se eu fosse a professora pra quem você levava a maça, você me bateria, policial, político, empresário, gestor, pai de aluno, aluno?

Você me bateria, Sociedade?


PS: Por um dia em que a sociedade respeite a profissão que ensina a profissão: o Professor.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Adoraria

Adoraria

Amar o que você ama
Comer o que você come
Ver o que você vê
Sentir o que você sente

Ser você

Adoraria

Amar o que amas
Comer o que comes
Ver o que vês
Sentir o que sentes

Ver você

Pirei ou é só Sonho?

Pensei em não escrever, só que isso está na minha cabeça o dia inteiro pedindo para ser exposto nessas páginas, logo, vamos começar...
Estávamos esperando um avião-ônibus, não, eu não estou viajando, era uma espécie de avião-ônibus e Didi era o piloto-motorista. O veículo-voador lotou com uma meia dúzia de pessoas, confesso que aparentava estar com medo (estava mesmo), logo, não quis sentar no banco do passageiro a frente com Didi, por isso, logo uma assanhada morena sentou ao lado dele e ficou observando seus movimentos e habilidades com o veículo-voador. Deu ciúmes, mas tudo bem. Sentei na fileira de trás e lá fomos nós...
 Paramos em frente ao prédio da companhia telefônica que tem na cidade onde nasci. Didi deu alguns minutos para os passageiros. Aproveitei e fui correndo na loja de departamentos procurar uma fantasia... foi quando me lembrei que não sabia porque procurava tal vestimenta, voltei espavorida, com pressa, naquela avenida esburacada (estava sendo reformada) e com aquela sandália dos anos 70 que não me ajudava muito. Lembro de me ver com uma bermuda amarela, uma blusa cavada (bem) colorida e sandálias brancas com meias de estampa arco-íris. De fato, muito da época.
Assim que cheguei próximo ao veículo-voador, Didi reclamou que eu havia demorado, mas não se delongou e seguimos viagem com os passageiros. Quando chegamos ao meio de um parque, fui transportada do veículo-voador (que estava no ar) para o chão-terra. Não entendi como meu corpo foi parar ali se eu estava no avião-ônibus, mas logo veio um astronauta me dizer que eu não poderia seguir viagem, pois minha irmã (que eu nem sabia que existia) dependia de eu não viajar, para haver o nascimento da filha dela. Não entendi muito bem este propósito, nem o que eu tinha a ver com tudo isso, mas comecei a achar normal eu ser teletransportada de um avião-ônibus, de forma que, (quase) virei moléculas para pisar no chão daquele parque.
Lembrei de perguntar ao astronauta: Mas, minha história com Didi, continua? O astronauta respondeu: Sim! Apontou em direção a sua barriga, onde tinha uma luneta do futuro, abaixei para enxergar... e acordei.
Ana Nery Machado
12-05-2015

quinta-feira, 23 de abril de 2015

GENTE

Tem gente que gosta de observar pássaros, eu prefiro observar gente, porque percebo o quanto somos uma engrenagem de um conjunto de peças que precisam funcionar, todo dia, para gerar a vida. E quando alguma peça quebra, tende a ser substituída por uma nova peça bem lapidada e com a pintura fresquinha. Esse é o mundo; É o jogo da vida.


sexta-feira, 25 de julho de 2014

Ela é assim

Ela “desenha” a sobrancelha, põe brilhos, paetês, batom vermelho e grifes afins.
Piri é assim.
Fotos em frente ao espelho? Não podem faltar.
A pessoa mais generosa, linda e feliz.
Piri é assim.
Deus sempre está a favor dela e contra os demais, nas redes sociais.
Verdadeira e tranquila, depressão e stress não há.
Piri é assim.
Aí ela morre. Diagnóstico: tristeza. E agora só pode observar o que restou dos seus afins.
Só espero que Deus esteja realmente a favor dela, porque vai precisar, enfim.
Piri foi assim.


07/2014

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Resolvi comprar um Sanduíche

Resolvi comprar um sanduíche, mas não sabia onde. Saí pela cidade atrás de um lugar bom e barato, então, fui andando pela orla da praia, lia as placas e nada me agradava... Até que avistei um lugar chamado Marrocos. E entrei.
Entregaram-me o cardápio, mas não precisei pensar muito para pedir um X – tudo “para levar, por favor”. Enquanto aguardava a encomenda, observava as pessoas sentadas, o lugar estava cheio, pessoas com mais idade, garotas seminuas, mostrando-se para os rapazes, tudo como sempre é, como sempre foi.
Foi quando pensei nos meus pais que havia visitado a pouco, as linhas de expressão, rugas, olhos caídos, a mancha da pele, como o tempo havia passado e eu não percebi. Deu-me um assalto súbito de dor, sem dor. Saudades que não se pode contar em números, de um tempo que... Enfim, nunca mais será.
O sanduíche chegou, paguei e saí do Marrocos em direção à minha casa. Fui contando passos largos, quando me parou a mão de um homem sentado na calçada a pedir algo como esmola ou afins. Passei reto, continuando a passos largos, mas a minha consciência começava a diminuir o meu ritmo, pensava em quanto o meu bom senso não permitia ajudar alguém nessas situações. Mas precisava pensar em mim, pois hoje só tinha pro sanduíche, não me sobrara mais nada. E o que eu faria então? Voltaria e entregaria meu lanche pra ele. E eu comeria o quê depois? Senti que ter bom senso é uma merda, pois se comparássemos nós dois, estávamos quase na mesma situação, a diferença é que eu tinha o poder de escolher qual a boca que iria encher.
Minha mente fez com que, paulatinamente, voltasse ao encontro daquele rapaz, quando percebi estava à frente dele sem saber o que dizer. Ele olhava pra mim surpreso, com os olhos esbugalhados, e eu olhava para ele, sem expressar um músculo facial, sem falar um fonema. Observei o seu rosto sujo de poeira, seu cabelo impermeável, suas mãos e pés descalços, ferrados pelo tempo.
Pensei nos meus pais, emendei a ruga paterna com a poeira da rua, ilustrei um filme só meu no subconsciente imutável do passado. “Todos vão embora, um dia”. Ainda estava na frente do rapaz empoeirado quando peguei o celular e liguei. Meu pai atendeu com aquele alô de costume, eu disse que estava mandando eles nunca morrerem. Ele sorriu e disse que a ordem estava protocolada para averbação. Eu respondi um “tá bom” e desliguei o telefone.
O rapaz sorria com sua boca de caverna, eu sorri de volta. Quando guardava o celular, como num assalto, o empoeirado pegou meu sanduíche e saiu a correr orla abaixo.
Fui pra casa com a fome chamando... E tentando entender porque ele não roubou meu celular.

Ana Nery Machado
05/2014



Os espelhos de Narciso

Fabricio era pobre, “tadinho dele”, era o que diziam ao ver aquele menino vindo com os sapatos melados de lama, descendo daquele ônibus que o trazia daquele bairro distante, que só.
Na escola, era sempre o protegido dos professores quando discutia com Maurinho, o menino petulante do bairro nobre que a mamãe vinha levar e trazer de carro todos os dias.
A vida estava na sua direção certa, até que, a professora Olga, movida por um sentimento de resolução, quis visitar esses dois meninos e suas famílias, para tentar resolver essas brigas de adolescentes sem sentido algum.
E lá foi a professora Olga para a casa do Fabricio. O bairro era distante, mesmo. E chegando lá, tal foi seu espanto quando olhou à frente da casa com o jardim bem cuidado, margaridas bem cuidadas nas janelas, piscina limpíssima, aguardando os dias mais quentes do ano.
Pensou que estava no lugar errado, porém o aceno de Fabricio não deixou dúvidas de que era lá que ele morava. Entrou na casa e... ar-condicionado em todas os cômodos da casa, que continha uma mobília copiada de novela.
E lá, sentada na poltrona mais confortável que sentara, a professora Olga ouviu da mãe de Fabricio de onde vinham suas rendas: Ah sim, de duas pensões que eu tenho, sabe, né professora, tem também alguma ajuda a mais do governo e eu não pago imposto, água, luz, condomínio, isso diminui bastante minhas despesas, consegui reformar a casa e ainda comprar esse carrinho aí que está na garagem.
Dona Olga sabia que o veículo valia mais que um comum do preço popular, porém fez não saber de nada e logo deu um jeito de ir embora, pois seus pensamentos egoístas a deixavam estupefata com sua realidade de andar de carro popular, sem ar e direção hidráulica e ainda ter a vida de trabalhar pra pagar conta, resumindo, toda aquela lista que a mãe de Fabricio relatara e que ela já sabia decorada.
Naquele dia, encerrara seu expediente, deixaria para visitar Maurinho outro dia... Confusão de ideais de vida afrontavam sua essência.

Ana Nery Machado
04/2014




E você, o que acha?

Acho que neste momento eu preciso escrever mais e amar menos. Aná Nery Machado 14/06/2020